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Olhar para o óbvio como se fosse a primeira vez

G.K. Chesterton é o autor da frase que deu origem ao título da edição do Meeting Lisboa deste ano: Ser livre é ter o coração preso. Porém, esta frase é apenas uma pequena ponta do novelo da vida e obra deste autor inglês. Prova disso é a exposição, com o mesmo nome, que estará presente na tenda do CCB durante este fim-desemana.

Maria João Leitão, uma das curadoras da exposição, contou ao Imprevisto aquilo que mais a fascina neste autor e que a fez juntar um grupo de outros entusiastas e criar esta exposição. “Ele consegue descortinar a Verdade em todas as coisas, indo à sua origem. Consegue encontrar o óbvio em todas as coisas”. Vamos encontrar um homem visionário, muito à frente do seu tempo, mas que não teve que reinventar a roda para o fazer. “Um dos biógrafos de Chesterton disse que ele não acrescentou nada ao que os sábios já disseram, mas tirou todo o lixo que se foi acrescentando às verdades óbvias do mundo e às verdades óbvias sobre o Homem”, continuou a contar-nos Maria João.

Um dos traços de Chesterton, que percorre a sua vida e obra, é o seu sentido de humor e a sua humildade. Estas características poderiam, numa primeira vista, fazê-lo parecer pouco sério e inadequado, mas foram as mesmas características que o fizeram próximo de pessoas muito distantes da sua forma de viver. A prova disso é uma outra história que Maria João

nos contou: “um dos inimigos de Chesterton, que diz que é ateu, mas que diz que se de facto ser ateu não for verdade e ele estiver à porta do céu, a única razão pela qual poderá entrar no céu é por ser amigo de Chesterton. Isto é uma coisa espectacular para se dizer de um inimigo”.

António Campos, médico em Coimbra e membro fundador da Sociedade Chesterton Portugal, será um dos oradores do encontro de domingo intitulado Chesterton e a eterna atração da verdade: de C.S. Lewis a Iron Maiden, encontrou-se pela primeira vez com G.K. Chesterton num artigo de jornal que o levou a ler o livro Ortodoxia. Passado algum tempo, “uma pessoa que me orientava no hospital que era comunista e ateu, mandou-me um link da Sociedade Chesterton Brasil e disse ‘eu acho que você deve gostar deste cromo’”.

Sobre a essência de Chesterton, Maria João remata: “É uma pessoa muito interessante porque a sua obra e a sua vida são uma coisa só. Tudo o que escreve é o seu coração que escreve, é o que ele vive. É um exemplo de humanidade muito atraente.”


Madalena Ferreira



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