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Somos filhos de um Pai que nos quis primeiro



O que é que torna o homem livre? Onde podemos fazer experiência desta libertação? O que é que dá consistência à minha vida e me permite empenhar-me no mundo sem me tornar escravo dele?


Estas foram algumas das perguntas com que Bernhard Scholz, presidente da Companhia das Obras, interpelou a plateia expectante que tinha diante, na apresentação do livro “O compromisso do cristão no mundo”, na Casa Medeiros e Almeida, no dia 6 de Novembro. O livro inclui duas conferências realizadas por Hans Urs Von Balthasar e Luigi Giussani a um grupo de universitários em 1971.


Naquele ano estava-se ainda no contexto da contestação estudantil de ’68, que trouxe para a ordem do dia o grande tema da liberdade: é verdade que o homem se sente mais livre depois de se libertar da transcendência (Iluminismo), das condições socio-económicas (marxismo) e dos laços afetivos-familiares (Freud)?


Através da leitura de trechos do livro, Scholz confrontou a audiência com o argumento dos dois teólogos: a liberdade é outra coisa, a verdadeira libertação é uma dependência.

Certamente que o cristão não pode deixar de fazer contas com as condições históricas (não fáceis) em que vivemos atualmente e com as várias tentativas de auto-libertação do homem: “todos, incluindo os cristãos, percebemos que precisamos de uma libertação e percebemos que é difícil sermos nós próprios, se nos basearmos apenas nas nossa forças”.


Mas o caminho proposto pelos autores é revolucionário: o compromisso do cristão no mundo nasce, antes de tudo, do compromisso de Deus com o homem e o mundo que Ele quis e criou. E por isso, o empenho do cristão não nasce do depender das nossas forças, do nosso compromisso, da nossa coerência, mas de nos deixarmos “humilhar” e desarmar diante d'Aquele que age em nós, que, fazendo-se carne, tornou-se presente, companheiro vivo do caminho para o destino.


Para Scholz, “neste abandono, o nosso valor não diminui, mas aumenta se respondemos ao que Deus, que nos quis aqui e agora e como somos, nos pede. Somos filhos de um Pai que nos quis primeiro!”. Então tudo começa com a gratidão, a gratidão por ter um Pai que nos escolheu!


Aos organizadores do Meeting Lisboa Scholz lembrou que “o abandono é o contrário da passividade, é a atividade das atividades! Abandonar-se quer dizer, seguir aquele que te põe diante das circunstâncias às quais deves responder”. Assim, a tarefa dos organizadores não é a de propor aos visitantes aquilo que constroem, mas a beleza que encontraram, propondo que confrontem a sua própria vida com isto.


E como podemos verificar se estamos no caminho certo? Olhando para a realidade: ou saímos do Meeting a sentir o peso do que temos para fazer, de como temos de ser bons, etc.; ou saímos de lá a sentir-nos livres, contentes e com os pulmões cheios da vitória de um Pequeno Bebé, que se torna companheiro de viagem. Queremos redescobrir juntos a grandeza da nossa História. Bom Meeting!


Letizia Ortisi

© Meeting Lisboa 2018       geral@meetinglisboa.org

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